Sábado, 10 de Setembro de 2005

DOSEAMENTO DO AZOTO TOTAL PELO MÉTODO DE KJELDAHL

A determinação de proteínas totais, num alimento, é bastante complexa pois, muitas vezes o processo baseia-se na presença de um aminoácido em particular. Sendo assim, os resultados analíticos ficam sujeitos às variações das proporções do aminoácido, nas proteínas. O método analítico mais utilizado para o doseamento de proteínas é o método de Kjeldahl pois quantifica o azoto total. O teor de azoto nas proteínas é constante, sendo em média de 16%. Ao determinar-se a quantidade de azoto num alimento, é possível calcular o seu teor em proteínas. Para tal, utiliza-se um factor de conversão que varia consoante o tipo de alimento analisado. O método de Kjeldahl assume que a quantidade de azoto não proteico nos produtos alimentares é demasiado pequena para ser considerada e não contabiliza o azoto em ligações N-N e N-O. Estas ligações têm que sofrer um “pré-tratamento”, ou têm que ser sujeitas a condições redutoras, antes de se iniciar a análise. Este método é constituído por duas etapas. Na primeira, a solução sofre uma digestão, a altas temperaturas, com ácido sulfúrico concentrado na presença de um catalizador. Este, podendo ser cobre, mercúrio ou selénio, é adicionado para acelerar a digestão. Durante a digestão o azoto é convertido em dissulfato de amónia, enquanto que o material orgânico da amostra é destruído. Em seguida, é adicionado sulfato de potássio, que acelera a decomposição, para aumentar o ponto de ebulição da solução. As quantidades de ácido sulfúrico concentrado e de sulfato de potássio utilizadas têm que ser controladas, consoante a quantidade de material orgânico presente na amostra. Assim, garante-se que a temperatura da digestão é apropriada. As temperaturas demasiado baixas podem conduzir a um processo muito prolongado e/ou incompleto, o que pode levar a perdas de azoto e a resultados abaixo dos esperados. Na segunda parte, determina-se a quantidade de amónia através de uma destilação e de uma titulação. Após a digestão estar completa, é adicionado hidróxido de sódio em excesso para neutralizar o ácido sulfúrico restante e para libertar a amónia formada, aquando da oxidação das moléculas com azoto. O sulfato de amónia é destilado com hidróxido de sódio em excesso, possibilitando a libertação da amónia. Esta, é recolhida num excesso de ácido bórico saturado, formando borato de amónio. Em seguida, esta solução é titulada com um ácido forte, na presença de um indicador.

in "Química Alimentar", Licenciatura em Engenharia de Produção Biológica, Escola Superior de Biotecnologia, Universidade Católica Portuguesa, Novembro 2001.

publicado por Mafalda Paes Moreira às 22:24
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